25/12/12

Engenharia

A fé move montanhas. E a religião constrói prédios.

22/12/12

Condição

Silêncio. Preciso chorar. Necessito chorar para ser gente. Será que é isso?

15/12/12

Endiabrado

nos palácios proibidos
reina
a overdose

venha
quebre os braços
morra devagar

endiabrado
no exílio
louco, sempre fui

05/11/12

One Drop of Blood Simple

A raça humana é a vossa chance ---
em vários crimes
que Deus perdoa.

Serão todos processados.
Todos estupraram a própria família ---
e a própria filha!

Maldita carne.
Concubina do Diabo.
Ligada à igreja.

Que Deus perdoe a culpa humana.
Que Deus me livre dessa doença.

Seios de sangue que alimentam.
(One-drop rule or blood simple.)
Histórias tristes, depois de um crime.
Bocas de lixo que [se] detestam.

Império cancro!
Mentira séria.
Loucura surda que arrebatou.
Portanto não me fale de alegria ---
nem à noite
nem ao dia

11/09/12

Sem Peso

crianças nascidas,
sem culpa, sem peso e sem chance,
de úteros da droga ---

em berço de Crack

20/08/12

Boite

"Oferecem-me coisas, tipo: vinhos do Chile, cocaína da pura, adesivos da Holanda... Depois curtimos numa Boite qualquer.", disse a interrogada.

02/08/12

O Preço

heis-me aqui,
mente aberta e poluída,
a reclamar emoção!

quero saber,
do infinito,
quanto custa a solidão...

22/07/12

As Formigas

A umidade da casa onde moram,
e o seu tabagismo,
são a única bronquite crônica do teu filho.

(E as formigas vêm de dentro.)

12/07/12

Parem de Falar de Saudade

Dane-se tudo que tiver Dani. [Quero mais é] vomitar rosas. Que significa?... Quero o direito de não ser humano. [Então] fui pro Afeganistão. É difícil ser insana perto de gente doida. Chega! Estou com a minha cara no chão, [querendo saber] o valor das coisas imprestáveis. Sou babaca, sou sozinho... impróprio.

Parem de falar de saudade... Fui buscá-la. O que é escutar chorinho em uma noite fria?... Tenho um arquivo monstro. Sinta-se isento de pensar em mim. [Quero] te cobrir de sorrisos enquanto eu chorar de saudade. A dor me cortou com a canção do Leoni. Nem Deus quer mais conversa comigo. Não tiro a razão dele. [Tenho] vontade de uma coisa que eu não sei o que é. . . ME DEIXA!

(Compilação de Tweets de @Daani_ele)

26/04/12

20/04/12

Quando Morreu Clarice

Clarice era tudo em minha vida. Fazia o jantar, lavava roupa, cortava-me as unhas. Cultivava, junto comigo, todos os meus sonhos. Todos. Punha-me o café da manhã à mesa, todos os dias, às sete horas em ponto. Clarice era mulher de verdade, mulher presente. Ela, sim, era participativa na vida do Lar e, consequentemente, na minha; bem como em todas as minhas demandas diárias. E nas minhas carências sentimentais e emocionais.

Clarice sentia-se mulher e fazia com que me sentisse homem. Estava sempre pronta, para tudo. Incondicionalmente. Durante o futebol, na televisão, (junto com cerveja bem gelada e amigos em casa) aos domingos, fritava sempre os mesmos salgadinhos: recheio de carne com cebola e molho picante. Deliciosos como sempre. Receita da mãe. Nunca reclamou. Nunca. Nem do barulho e nem da sujeira que ficava.

Filhos nunca tivemos. Porque não quis. Dão muito trabalho. Despesas. E depois começam a quebrar coisas em casa; ou então, quando não viram viados ou sapatões, dão para o roubo; depois que viram adolescentes drogados. Porque, claro, um dia, todos eles viram adolescentes drogados. Invariavelmente. Mas ela, Clarice, sempre quis. E morria de inveja da minha prima, Joana. Joana e o marido, o babaca do Gonçalo, tiveram duas meninas e um menino. Dizem que são felizes. Mas não acredito. Até porque minha prima sempre trabalhou fora. E mulheres casadas que trabalham fora tendem sempre para o divórcio, ou adultério. Mas, enfim, problema deles. Clarice nunca trabalhou. Nunca deixaria. E ela nunca lamentou. Ou seja, nunca fez questão. Acho. Pareceu-me sempre tão feliz em sua condição de mulher casada e dona de casa. Se bem que de uns tempos pra cá andava meio tristinha. Mas pensei que era apenas por causa dessas coisas de menopausa de que tanto falam na TV. Nunca imaginei que fosse algo realmente sério.

Mas... Clarice... Clarice matou-se, hoje de manhã, depois que saí para o trabalho. Usou veneno de rato. Um restinho de nada do que havia comprado, há quase dois anos, na esquina da Av. Anchieta com a rua do Logradouro. Nem era de qualidade. Cinco reais. Merda. "Suicidou-se", disseram seus pais, "porque não tinha vida." Segundo eles, Clarice vivia pra mim. Vê se pode.

11/04/12

Sampa

Deixei-me levar
pelas fábricas de miséria ---
pelos excessos que fazem uma cidade como São Paulo.

Deixei-me levar
pelo Crack ---
pelos velhos problemas de uma cidade como São Paulo.

Deixei de me lavar.

Aborto

Anencéfalo na barriga das outras é refresco.

16/03/12

Minhas Barbies

Línguas estranhas.
Babel de absurdos ---
o exemplo por esquartejamento.

Coliformes fecais de Homem para Homem.
Forma bruta e calada
na doença do outro.

Sensibilidade
de bonecas:
minhas Barbies, minhas barbáries.

14/01/12

Ao Relento

Um vestido
esquecido numa praia ---
desbotado ---
sofrendo a ação da chuva,
do vento...
do sol ao relento.

12/01/12

Acidente Rodoviário

Escrevi “POLUIÇÃO” e “MORTE POR ASFIXIA"
bem no alto daqueles prédios.

Escrevo
aquilo que nos descreve.

Acredito (e exagero)
em nossa queda
e fatalidade...

E quando o assunto
é o meu grau de comprometimento,
ou cumplicidade,
deixo bem claro ---

minha velocidade é um acidente rodoviário!