27/08/19

Fora da Carne

gente que não é pessoa,
desequilíbrios verticais

pelo próprio mau cheiro,
o pior da espécie
em qualquer
esquina

agora
e mais tarde
fora da carne
onde não existe sentimento

em relações inferiores;
chamativos, mórbidos ---
doentes

atores da loucura
numa forma de miséria ---
morte interna.

e não poderão evitar
nem as moscas
nem os chacais.

23/08/19

Força de Vida

o escorbuto
foi visto
no futuro

drenamos líquido
espesso
de tortura

no horizonte nebuloso,
fumaça que fica ---
na vida
e na retina

escombros, destroços, doença, loucura!

tudo é morto...
tudo foi morto!
na velocidade do vento
no exato momento
em que a luz acabou
para sempre

tudo isso
é força de vida ---
vontade que faz sofrer

mas emoção,
realmente ---
é sustentar solidão

19/08/19

Devoluto

muitas e muitas vezes,
a paisagem era eu ---
num canteiro, ou jardim,
perto de um riacho, ou lago ---
a plantar (ou a colher)
rosas devolutas ---
espinhos contaminados.

18/08/19

Os Miseráveis

Portas, abertas, reveladoras de mundos cruéis 

Lançou-se a escuridão entre flores raivosas
(de sangue e luxúria)
nos penhascos onde desabavam os miseráveis da loucura
(enquanto dão adeus ao mundo carnal)
em época de esquizofrenia eterna 

Entre os lençóis o látego ---
nos bordéis,
a comunhão

09/08/19

Roda de Amigos

Quando, e por quanto,
faríamos qualquer coisa infeliz;
e, depois,
sem passar remorso,
repetir o crime ---
fosse o crime que fosse?...

"Reunião de Tragedia Acaba em Cocaína."

"Grupo de Seres Humanos Termina em Chacina."

Moscas sobre o corpo morto.
Vidro
partido
dentro de nós.
As piores coisas,
no fundo,
a gente.

As pessoas se acabam em desrespeito;
maneira, menos complicada,
de injetar veneno.

08/08/19

Veludo Cretino

veludo abaixo
(esgoto acima)
em galerias clandestinas
subiram todos ---
e curvaram suas cabeças
(junto aos pés dos assassinos)

em homenagem aos cretinos.

07/08/19

LSD

Vejo um cara,
fardado,
com uma enorme borboleta
em baixo do braço.

O cara,
em baixo do braço,
é uma enorme borboleta
de farda.

de Morte

Céu negro, tempestuoso, encobrindo o tédio nas cabeças.
Caras malditas refletidas nos ladrilhos da agonia permanente...
Mundo surreal de abismos repleto de protuberâncias.
Homens vazios apaixonados pelo crime.
Notícias, histórias, chacinas.
E, pelo horror propagado, do ódio explorado retém-se o máximo.
Fundos musicais entre relâmpagos, estrondos --- assim é que a noite das atrocidades desabou sobre a vida de todos nós.
Mundo escuro afogado no horrível --- bem além daquilo que é macabro.
Deus acordou... trêmulo e acanhado.
A cobiça providenciou anomalias --- sacrificou tudo ao castrar nossos filhos.
Agarraram nossos braços e os arrancaram.
É uma vida que chama pelo nome de morte.