21/07/25

Restos

I.

quem fez a terra devastada?
quem faz a vida fria
pálida
calculada
em número de baixas?

II.

quem fez a terra devastada?

quem fez miasma?
quem faz doença que invade
corpo e alma?

III.

quem fez a terra devastada?

quem fez lavoura podre
colheita infame?

quem fez biologia censurada
políticas do Homem?

IV.

quem fez a terra devastada?

quem financiou
esses restos
(quando apenas sobram desertos)?

tudo hoje acaba agora!
eis a morte nesta hora!

20/07/25

Ego Terrorismo

Meu ego é uma bomba
que explode numa praça.

Meu ego ---
falta de respeito
que te abraça.

A minha crueldade,
não foi por mal
(pura emoção) ---
foi sem querer querendo.

Não tenho outra cara de canalha.
(brutalidade emocional).
Aonde Jesus não nos pertence...
o ego é perigoso.

Meu ego
e uma bomba
explode coração ---
ego terrorismo
arrasa quarteirão.

14/07/25

O Vento Leva

E por falar em multidão,
eu vou bem melhor sozinho!
Não! não leia minhas mãos!
Sem essa de "destino"...

O mundo parte o coração...
quando eu saio sem revólver.
A vida é toda ingratidão...
o vento leva e não devolve.

Então agora quem tá triste...
quem já sofreu ou tá sozinho?
Então agora quem perdeu...
e precisa de carinho?

13/07/25

Nada Pessoal

via
o que precisava enxergar

mas nem por isso
sabia o que fazer

então
caminhei com meus tigres
pelas ruas da sua cidade ---

mas nada pessoal

12/07/25

Já te Avisei

Amigos de verdade não existem.
Mas desamparo e crueldade, sim!
Mamãe não te disse
que ninguém é menos cruel?

A felicidade não existe.
Disparos de revólver, sim.
Mamãe não te disse
qual caminho te leva ao Céu?

Já te avisei
para não escutar o que é legal ---
mas sim o que é perverso!

A vida não é nada...
juro que é.
A vida não é nada...
juro que não
A vida não é nada...
juro que é
A vida não é nada...

juro que não.

Quatro Cadeiras

eu era um esquema ---
o testa de ferro de um outro alguém.
a coisa certa
a ser feita.

jogo de mesa
com quatro cadeiras;
pai protetor, sono profundo, cheiro de roupa limpa

eu era dilema ---
pânico, surto, cidadão,
encrenca...

eu era você,
quando se sente sozinha

eu era poeira de estrela,
o capacho e o pó

eu era poema
e aquilo que se faz
num brechó

09/07/25

Anfetaminas, Mentiras

Toda ilusão
falta
com a verdade.

E a cocaína
diminui
a espécie.

A alma já era, 
o corpo nem sabe ---
o que é primavera,

com felicidade.

Chega
de apostar
no azar
em emoção
de cocaína! 

Verdade
é viver
o que há

sem anfetaminas,
mentiras
sem anfetaminas,
mentiras
sem anfetamina ou

morfina!...

07/07/25

Progresso

Entre as obrigações do Estado, a cura divina.
Todas as tecnologias a favor da bruxaria.

Enquanto isso, numa clareira aberta na mata, máquinas a trabalhar, sangue a escorrer... Pessoas que viveram a malária, a violência e o mercúrio.
A ganância vence o homem, a miséria prostitui a mulher.
Em cada semblante, o brilho do ouro, diamante. E cada alma diz: depois que eu me for, não haverá mais dor. 

(E, dia após dia, a noite era tudo que eu queria...)

A dinamite abre estradas por entre as rochas.
A fé move montanhas, a religião constrói edifícios; e o concreto armado nos aproxima de deus.
Nada disso é  engraçado, o pro-gres-so a-po-dre-ceu...

(E, dia após dia, a noite era tudo que valia...)

05/07/25

Estradas

Quão emocionante
pode ser a vida
(debaixo 
de neblina)

para um morador
dessas cidades ---
aonde escorre mocidade?...

carne, osso
cansaço
no espírito,
colapso

sem saber quem é quem ---
se vem
do outro lado
de cá, de lá
do além


olhos arregalados
na expectativa
(alguma saída?)

mãos tateando
um futuro
(de novas feridas?)

de um lado
mortos
terremotos
gente imunda
riquezas impuras
vaidades cristãs

do outro
penhascos, muros altos
constrangimentos
margaridas radioativas ---

o único alimento